Nova estratégia da Defesa Civil quer aumentar o impacto dos alertas aos gaúchos
Quem se cadastrou para receber mensagens de texto da Defesa Civil já deve ter percebido que a quantidade de SMS diminuiu. A frequência de fenômenos meteorológicos, como chuva, vento e granizo, porém, não diminuiu nos últimos meses.
O que ocorreu é que a estratégia de comunicação do Centro de Monitoramento da Defesa Civil do Estado foi revista. Antes, os usuários cadastrados — que somam 1.041.583 — recebiam vários tipos de alerta que partiam de avisos menos graves e se tornavam mais complexos quando os fenômenos se intensificavam.
Esse excesso de mensagens poderia distrair a população e fazer com que deixasse de se proteger quando o alerta maior chegasse. Na nova estratégia, os avisos identificados com a cor amarela (de risco moderado) serão divulgados pelas redes sociais e site da Defesa Civil Estadual. Já o SMS será enviado quando o risco estiver associado à cor laranja, quando o alerta é considerado alto.
— O centro de monitoramento enviava alertas com mais antecedência. Na continuidade do monitoramento, conforme o evento meteorológico ganhasse intensidade, teríamos que enviar mais um e com isso as pessoas reclamavam que recebiam muitos SMS. Agora, a ideia é que os alertas sejam mais claros e para regiões menores. Essa condição, não se dá apenas por achismo, mas por técnica mesmo. É um aprimoramento da previsão — explica a meteorologista do Centro de Monitoramento da Defesa Civil, Cátia Valente.
Os alertas de cor vermelha continuarão sendo enviados pela ferramenta Cell Broadcast. A mensagem de alerta invade o telefone, independentemente do que a pessoa estava fazendo no aparelho. A vibração e o toque só deixam de soar depois que o usuário clica na mensagem.
Se a gravidade for maior, como no caso de um alerta roxo, não adianta clicar na mensagem, pois ela não desaparece. Ela seguirá aparecendo no celular, determinando que as pessoas adotem medidas mais urgentes. É o caso das enchentes que atingiram o Vale do Taquari e a Região Metropolitana de Porto Alegre entre 2023 e 2024.
Áreas mais vulneráveis
Além disso, a Defesa Civil identificou áreas mais vulneráveis no Estado, que são mais suscetíveis aos fenômenos meteorológicos. A área compreende pontos com alta declividade, suscetíveis a enxurradas e movimentos de terra e maior adensamento urbano.
Isso significa que, mesmo que a intensidade do vento, da chuva e do granizo seja menor, os eventos ainda são considerados graves. Nesta área, estão incluídas a região Central (1), vulnerável a movimentos de massa e enxurradas; as áreas do Baixo Jacuí (2), vulnerável à elevação do Jacuí e afluentes; a região dos Vales e Serra (3), vulnerável a enxurradas e movimentos de massa; a região dos campos de cima da Serra dentro da bacia do Jacuí/Guaíba (4), que tem impacto nos rios corrente abaixo; e a região da encosta da Serra no nordeste (5), que é vulnerável a enxurradas e movimentos de massa.
Além dessa área, centros urbanos com mais de 50 mil habitantes são considerados vulneráveis para fins de alerta de chuva. As cidades com mais de 50 mil habitantes são Porto Alegre, Caxias do Sul, Canoas, Pelotas, Santa Maria, Gravataí, Novo Hamburgo, Viamão, São Leopoldo, Passo Fundo, Alvorada, Rio Grande, Cachoeirinha, Santa Cruz do Sul, Sapucaia do Sul, Bento Gonçalves, Bagé, Uruguaiana, Erechim, Lajeado, Guaíba, Ijuí, Santana do Livramento, Cachoeira do Sul, Santa Rosa, Santo Ângelo, Esteio, Sapiranga, Alegrete, Farroupilha, Venâncio Aires, Vacaria, Montenegro, Capão da Canoa, Campo Bom, Camaquã, Carazinho, São Borja, Cruz Alta, São Gabriel, Tramandaí, Taquara e Parobé. As regiões de Charqueadas, São Jerônimo e Triunfo, Gramado e Canela, Torres e Capão da Canoa, Cidreira e Balneário Pinhal e Panambi e Condor também entram nas áreas mais vulneráveis.
Radar próprio
A possibilidade de ter um radar próprio também aumenta a precisão das informações. Antes de ter um equipamento em funcionamento em Porto Alegre, o governo gaúcho dependia dos radares da Aeronáutica (em Santiago e Canguçu) para identificar riscos.
No entanto, como esses radares estão frequentemente em manutenção, a comunicação chegava tardiamente e a Defesa Civil não conseguia analisar os dados enviados a tempo. Quando os outros três equipamentos estiverem em funcionamento, a precisão das informações será ainda maior.
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