Fotógrafo gaúcho conquista reconhecimento internacional com foto de mãe amamentando
Uma mãe amamenta o filho mais novo enquanto acompanha, com o olhar, a outra criança ao seu lado. O cenário é simples, mas a mensagem ultrapassou fronteiras. Registrada em Pelotas durante um projeto de incentivo ao aleitamento materno, pelas lentes de Antonio Rocha, a imagem acaba de receber reconhecimento no 12º Concurso História e Significado - categoria Livre - da FineArt Association, plataforma internacional que reúne fotógrafos de diferentes países.
A imagem foi produzida em agosto de 2024 durante o Agosto Dourado, campanha da Secretaria Municipal de Saúde voltada à promoção da amamentação. Em vez de reunir as participantes em um único espaço, Antonio propôs registrar cada mãe dentro da própria realidade.
— No primeiro ano, fizemos as fotos em um ambiente fechado. Aquilo contrastava muito com a realidade das famílias. Quando surgiu o convite novamente, pedi para fotografar onde elas vivem. Era ali que a história acontecia — conta.
Ao lado da esposa e também fotógrafa Renata Dalbann, Antonio visitou dez lactantes atendidas pelo projeto e construiu uma série de imagens que, além da exposição realizada em Pelotas, passou a integrar concursos nacionais e internacionais.
Mais do que uma imagem
A imagem premiada foi apresentada acompanhada de um texto escrito pelo próprio fotógrafo, que defende o direito das mulheres de amamentarem os filhos em qualquer ambiente, sem constrangimentos.
A narrativa, intitulada "Amor que se multiplica", descreve a maternidade como um gesto cotidiano de cuidado e pertencimento.
"No fim, o que sustenta a vida nunca foi o lugar. Sempre foram as pessoas", menciona a descrição.
Segundo Antonio, o objetivo sempre foi produzir uma fotografia capaz de provocar reflexão.
— De nada adianta produzir algo que não toque um coração, que não mude um pensamento. Acho que esse é o grande poder da arte — menciona.
Quinze anos de construção
Natural de Santa Maria e radicado em Pelotas, Antonio não iniciou a carreira na fotografia. Formado em Administração, trabalhou durante 14 anos no setor bancário antes de decidir empreender como fotógrafo.
Hoje completa 15 anos dedicados ao estudo da fotografia e, ao lado de Renata, atende famílias e projetos em Pelotas e região.
Ao longo da carreira, já acumula mais de 700 reconhecimentos em concursos especializados e 36 narrativas fotográficas premiadas.
Recentemente, decidiu levar o trabalho para avaliações internacionais.
— A gente participa desses concursos para entender se o nosso trabalho comunica além da técnica. Não basta dominar luz, composição ou edição. A fotografia precisa transmitir uma mensagem — contextualiza.
Reconhecimento internacional
A FineArt Association realiza uma curadoria internacional com fotógrafos de diferentes países. Segundo a organização, apenas 3% das imagens inscritas recebem reconhecimento.
Na edição mais recente, apenas dez fotografias foram premiadas. Entre elas estava a produzida em Pelotas.
Além da fotografia da mãe amamentando, Antonio também recebeu uma menção honrosa por outra imagem da mesma série.
Para o fotógrafo, o reconhecimento representa a confirmação de uma caminhada iniciada há 15 anos.
— Tu caminha, estuda, trabalha e nem sempre sabe se está no caminho certo. Quando percebe que a tua fotografia consegue ultrapassar a técnica e provocar reflexão, isso compensa todo o esforço — celebra.
Segundo ele, a arte tem papel fundamental em despertar novos olhares.
— Num mundo tão acelerado, conseguir fazer alguém parar, sentir e refletir é algo que não tem preço — conclui.
Fonte: GZH
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