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AVC em idosos aumenta após gripe; cuidados com pessoas acima de 60 anos no inverno

  • Data: 14/jul/2026

Acostumada aos invernos rigorosos da Serra, a população sabe que as baixas temperaturas pedem mais do que roupas quentes. Para quem tem mais de 60 anos, o frio aumenta os riscos de complicações cardiovasculares e respiratórias, tornando ainda mais importantes cuidados como vacinação, alimentação equilibrada, hidratação e a prática regular de exercícios físicos.

A aposentada Ofélia Sebem Antoniazzi, de 83 anos, conhece bem essa rotina. Frequentadora assídua da academia, ela mantém há cerca de 60 anos o hábito da musculação e acredita que o segredo está na combinação entre atividade física e boa alimentação.


— Minha saúde está excelente. A gente tem que cuidar da alimentação também. Tem que comer bastante proteína, evitar embutidos e doces.

Segundo o médico geriatra Roberto Bigarella, da Sociedade Brasileira de Geriatria e Gerontologia, o organismo passa a enfrentar mais dificuldades para manter a temperatura corporal com o avanço da idade.

— O corpo precisa fazer mais esforço para se aquecer. Os vasos sanguíneos se contraem, a pressão arterial aumenta e o coração trabalha mais. Isso eleva o risco de infarto, acidente vascular cerebral, arritmias e descompensação de doenças cardíacas já existentes — explica.

De acordo com o especialista, pessoas com doenças cardiovasculares são ainda mais vulneráveis durante os períodos de frio. Ele destaca também que o risco de acidente vascular cerebral (AVC) aumenta significativamente após um episódio de gripe.

Além dos problemas cardíacos, doenças respiratórias também tendem a se agravar.

— Pessoas que já têm bronquite crônica, asma ou outra condição prévia podem sofrer descompensações que levam à internação e, em alguns casos, ao óbito — afirma.

A queda da resposta imunológica ao longo do envelhecimento torna ainda mais importantes as medidas de prevenção, principalmente em locais com grande circulação de vírus.

No Lar da Velhice São Francisco de Assis, em Caxias do Sul, onde vivem 85 moradores, a rotina é adaptada durante o inverno. A equipe reforça os cuidados com a temperatura dos ambientes, a hidratação, a alimentação e a vacinação.

— A gente procura manter os ambientes aquecidos, incentivar a hidratação e oferecer uma alimentação rica em nutrientes. Também acompanhamos de perto a vacinação, principalmente contra gripe e doenças respiratórias — explica a enfermeira responsável técnica Joanete Salvi.

Exercício físico como aliado
Para a instrutora física Shaiane Dutra, manter uma rotina de atividades faz bem não apenas ao corpo, mas também à saúde mental, especialmente nos dias de frio intenso e pouca luminosidade.

— O simples fato de sair de casa para fazer um exercício ou participar de uma roda de conversa já melhora o dia da pessoa.

Na academia onde ela trabalha, cerca de 70% dos alunos têm mais de 60 anos. Muitas amizades nasceram entre um exercício e outro, transformando a atividade física em um espaço de convivência.

— A gente conversa, convive uma com a outra. Essa convivência faz muito bem — conta a voluntária Regina Marcon.

A artesã Tânia Marcon diz que, mesmo quando falta disposição para sair de casa, nunca se arrepende de participar das aulas.

— Faz bem para a cabeça, para o corpo e para a alma. Às vezes venho sem vontade, mas saio daqui renovada.

Já a aposentada Eroni Borges Peruchin resume os benefícios da rotina ativa.

— Faz bem para tudo. Durmo melhor, me alimento bem e tenho mais disposição.

Para especialistas, manter hábitos saudáveis durante o inverno continua sendo a melhor forma de reduzir os impactos das baixas temperaturas e preservar a qualidade de vida na terceira idade.

Fonte: Pioneiro

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