serviço gratuito da Justiça acolhe idosos e ajuda a resolver problemas no RS
Um serviço gratuito da Justiça gaúcha especializado em resolver disputas familiares, dívidas e outras situações com escuta e acolhimento tem ganhado cada vez mais adesão dos idosos.
É no Centro Judiciário de Solução de Conflitos e Cidadania (Cejusc 60+) que muitos casos passam por uma conversa humanizada e de mediação de conflitos antes mesmo de virar processo ou de chegar a um juiz.
Desde junho, o programa, que era restrito à Capital, começou a ser expandido em todo o Estado. (Clique aqui e veja a lista das comarcas que possuem o atendimento)
—O mais importante é dar visibilidade e voz a esse público. O projeto 60+, que já temos na Comarca de Porto Alegre, expandiu. Hoje, servidores do Estado inteiro estão sendo capacitados para dar esse melhor atendimento – esclarece a juíza Cristiane Hoppe, coordenadora da iniciativa.
Somente entre janeiro e junho deste ano, 240 idosos procuraram esse serviço. O número é 65,5% maior do que o primeiro semestre de 2025, quando 145 pessoas buscaram ajuda (veja mais abaixo).
O projeto, conforme a juíza, está em consonância com o Estatuto da Pessoa Idosa (Lei 10.741/2003), cujo objetivo é promover a dignidade, a igualdade material e o envelhecimento ativo. Atualmente, cerca de 80 servidores do TJ/RS estão sendo capacitados para trabalhar com os idosos.
Atendimentos no Cejusc 60+
Em 2026
Idosos: 240 (146 mulheres e 94 homens)
Principal assunto: superendividamento (115 pedidos)
Mediações com acordo: 31%
Em 2025
Idosos: 145 (75 mulheres e 70 homens)
Principal assunto: superendividamento (39 pedidos)
Mediações com acordo: 46%
Superendividamento é a principal demanda
Golpes financeiros, dívidas e conflitos familiares estão entre os principais motivos que levam idosos a buscar ajuda.
Entre os casos mais recorrentes está o superendividamento, em consequência das aposentadorias comprometidas por empréstimos.
Quando percebeu que o salário mensal estava sendo engolido pelos juros, o aposentado Flávio dos Santos, 77 anos, procurou o Cejusc 60+.
— A gente é induzido a fazer empréstimos e, quando vê, se perde e não consegue sair. Eu fui negociar contra três bancos, sem advogado, sem nada. Fui encaminhado para Defensoria Pública e, ali na Justiça (Cejusc), me ajudaram muito — relata o idoso.
"Às vezes, só querem ser ouvidos"
A atuação do Cejusc 60+ também vai além das finanças. Casos de abandono, disputas familiares, problemas de saúde e situações de violência misturam demandas jurídicas com fragilidades emocionais.
— Auxiliamos uma senhora vítima de uma tentativa de golpe, muito nervosa. Tem quase 80 anos e cuida dos bisnetos. Veio aqui umas três vezes, pois tudo ela queria fazer pessoalmente. Ficou nossa amiga, nos mandou flores como agradecimento — relembra Clarissa Corrêa Ribeiro Queiroz, secretária executiva do Cejusc 60+.
Ou seja, ainda que as demandas não sejam sobre mediação de conflitos, o espaço faz os encaminhamentos necessários.
O Cejusc 60+ foi expandido de maneira virtual para todo Estado, mas em Porto Alegre funciona junto ao Cejusc do Foro da Zona Leste, no bairro Partenon.
Embora as mediações sejam online, pessoas idosas que não têm acesso à tecnologia (celular ou computador) podem comparecer presencialmente.
O atendimento é gratuito para as pessoas que têm renda inferior a três salários mínimos.
Uma recomendação é para que pessoas com mais de 60 anos sejam acompanhadas de alguém de confiança: um familiar, amigo ou vizinho para ajudar durante a mediação.
— É um trabalho muito gratificante. Ninguém tem muito tempo para dar atenção aos idosos e traduzir para uma linguagem simples aquilo que no dia a dia do judiciário parece muito difícil a essa população — explica Clarissa.
Nas demais cidades, servidores dos Cejuscs (são 54 no RS) estão à disposição para orientar o público idoso de como proceder conforme a realidade de cada comarca.
— Esse atendimento que nós fazemos em que a pessoa vem até o Cejusc (em Porto Alegre), se não tiver computador ou celular, pode ser feito em outras comarcas. Se uma pessoa de Santa Maria precisa do Cejusc 60+, ela nos pede o atendimento, encaminhamos para ela ir presencial ao Cejusc da sua cidade– exemplifica a servidora.
Atuação do Cejusc 60+
Acolhimento diferenciado: profissionais capacitados para lidar com as especificidades emocionais, cognitivas e sociais desse público
Articulação interinstitucional: encaminhamento a órgãos de proteção, como Delegacia do Idoso, Cras, Ministério Público, Defensoria Pública e outros
Adaptação tecnológica: suporte para inclusão digital, permitindo participação efetiva em sessões virtuais
Abordagem multidisciplinar: apoio de psicólogos, assistentes sociais e advogados para compreensão ampla das demandas.
Fonte: GZH
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