Notícias

Fique por dentro das notícias da cidade e região.

Basalto da Serra ganha novo impulso com recursos da Consulta Popular

  • Data: 12/ago/2026

Há quase um século, o talhe do basalto molda a paisagem econômica e social do noroeste da Serra Gaúcha. Nascida de forma artesanal com a chegada dos imigrantes europeus à região de Nova Prata, a atividade hoje reúne 150 empresas, emprega diretamente cerca de 5 mil pessoas e está presente em 17 municípios – um retrato da força coletiva que sustenta o Arranjo Produtivo Local (APL) do Basalto da Serra Gaúcha.

Reconhecido pelo Estado em 2023 e gerido pelo Sindicato da Indústria da Extração de Pedreiras de Nova Prata e Região, fundado em 1986, o arranjo funciona como uma rede de cooperação entre empresas, produtores e instituições de um mesmo território, organizados em torno da mesma atividade econômica. O modelo amplia o acesso a políticas públicas de fomento e fortalece a competitividade de um setor historicamente pulverizado entre pequenos produtores familiares.

É dentro dessa lógica que a atividade recebe agora um novo impulso: o repasse de R$ 471.428,57 em recursos da Consulta Popular, mecanismo estadual de definição popular do Orçamento que já havia contemplado o projeto do APL na edição passada. O valor beneficiará ao menos 12 municípios da microrregião de Nova Prata, polo e sede do arranjo.

A verba será aplicada em diversas áreas, cumprindo um cronograma pensado para fomentar a atividade em múltiplos campos, inclusive turisticamente. Mas um dos pontos centrais também está na valorização da atividade. "São recursos de extrema importância, pois serão empregados diretamente na atividade da extração de basalto, uma atividade antiga, mas que nunca teve reconhecimento regional", pondera Camila Turmina, coordenadora do APL.

De acordo com ela, parte do montante será investido na aquisição de equipamentos para melhorar a qualidade dos trabalhos ambientais e licenciamento das áreas produtivas. Também integra a lista aporte para capacitação de mão de obra, um dos gargalos passíveis de comprometer a atividade, surgida na região por volta dos anos 1930 por meio de imigrantes europeus. Estão previstos, também, investimentos na iniciação das trilhas educativas para os mosaicos, na promoção do Basalto Day, um dia de visitação, e na rota turística e arquitetônica nas cavas de basalto. Ao fim de 12 meses, prazo prorrogável do projeto, a ideia é conquistar maior visibilidade para a extração do basalto. "Esperamos alcançar melhor preço de mercado aos produtos, mais inovação e tecnologia e abrir novos mercados", projeta Camila.

O plano de trabalho apresentado pelo Sindicato à Secretaria de Desenvolvimento Econômico (SEDEC) detalha o conjunto de ações previstas: investimentos em qualificação profissional e empresarial, comunicação institucional, governança, modernização tecnológica e promoção comercial da cadeia produtiva, além da estruturação da Indicação Geográfica do basalto regional, buscando ampliar a competitividade, a inovação e o reconhecimento do setor dentro e fora do Estado.

Dos 12 municípios com atividade de extração ativa, dez pertencem ao Corede Serra – Antônio Prado, Ipê, Fagundes Varela, Guabiju, Nova Bassano, Nova Prata, Paraí, Protásio Alves, Veranópolis e Vila Flores –, além de Santo Antônio da Palma e São Domingos do Sul. Nova Prata lidera a produção e a comercialização, seguida de perto por Paraí. "A produção é cíclica, varia, porque depende muito do clima e principalmente da mão de obra", comenta Camila.

Nos anos 1980, a atividade passou por um momento crítico, correndo o risco de ser extinta. A morosidade nos processos de licenciamento levou ao fechamento de diversas cavas. Embora a situação hoje seja outra, ainda há ameaça à extração da pedra, que foi motor econômico em vários municípios nos anos 1990 e 2000. "É uma atividade que se difundiu empiricamente entre os moradores locais, emancipou vilarejos. Hoje, ela tem seu papel de destaque na economia local, com um material nobre e único no planeta, porém com redução de produção pela escassez de mão de obra e de novas frentes de operação, e também pela busca de novos mercados, como exportação. Para isso, precisamos de visibilidade que só o APL pode dar", diz.

A extração do basalto é praticamente uma atividade artesanal. "Temos mecanizados o carregamento, o beneficiamento e a expedição, mas a extração e o tratamento do talhe, que é um acabamento único, é 100% manual", explica Camila. Toda a produção de basalto se destina à construção civil, desde pavimentação até ambientes internos. Em 2023, a atividade ganhou um importante fomento, tendo o APL reconhecido pelo Estado, o que trouxe uma nova perspectiva. "Conseguimos participar de programas de investimento do Estado, como é o caso da Consulta Popular, e tivemos um reconhecimento e avanços em projetos de lei importantes, como a lei que institui o talhe de basalto Patrimônio Imaterial do Estado do Rio Grande do Sul", comemora a coordenadora do APL.

Para a presidente do COREDE Serra, Monica Mattia, é um avanço extremamente significativo para o APL do Basalto a possibilidade de ampliar a profissionalização do setor. "Há uma importante parcela de mercado a ser conquistada por meio da definição de novos usos do basalto na construção civil e na decoração, além da expansão para novos mercados em âmbito nacional, agregando valor e fortalecendo a competitividade do segmento", diz.

Outras notícias