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Centro climático americano aponta 69% de risco de El Niño "histórico" mais forte desde 1950

  • Data: 14/ago/2026

A ameaça de que se configure um "super El Niño" no último trimestre deste ano se tornou ainda mais provável, de acordo com um boletim da Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) dos Estados Unidos divulgado nesta quinta-feira (13). O percentual de probabilidade de que o fenômeno supere os 2ºC de aquecimento acima do normal no Pacífico — o que resultaria em um episódio classificado como muito forte — saltou dos anteriores 81% para 95%.

Outra estatística amplia as preocupações com o possível aumento de chuva no sul do Brasil associado a essa oscilação. O mesmo relatório informa que há 69% de possibilidade de que a intensidade desse episódio quebre recordes históricos e seja a mais alta desde a década de 1950 — quando teve início a série histórica padronizada utilizada como referência pela NOAA. Podem ter ocorrido eventos mais fortes antes disso, mas que não integram essa base de dados.

O texto divulgado pela NOAA observa que "o El Niño se fortaleceu no último mês". Além de a temperatura superficial seguir subindo e ter alcançado 1,4ºC em julho (quase no limiar de 1,5°C que configura uma ocorrência "forte"), os especialistas americanos observaram um raro aquecimento da água localizada abaixo da superfície.

Os dados indicam regiões até 10°C mais quentes do que o normal. Isso preocupa porque a elevação na temperatura dessa água mais profunda funciona como uma espécie de combustível para o fenômeno.

Esse cenário faz com que a perspectiva oficial do governo dos EUA, que sintetiza múltiplos modelos de previsão da América do Norte e de outras regiões do globo, indique uma tendência de contínuo fortalecimento do El Niño até o final do ano. O texto do boletim detalha que "durante a temporada de outubro a dezembro de 2026, há uma chance de 69% de um evento histórico que excederia a força de todos os eventos anteriores (...) desde 1950". Isso significaria, na prática, uma temperatura na superfície do Pacífico pelo menos 2,5ºC além da média.

O hidrólogo do Instituto de Pesquisas Hidráulicas (IPH) da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) Fernando Fan observa que o centro europeu já havia divulgado uma expectativa de El Niño em fortalecimento e com ápice esperado por volta de dezembro, o que foi respaldado agora pela agência americana.

— Ambas as previsões indicam que o fenômeno deve perdurar até março. Mas, como o limite (atual) das previsões é março, não quer dizer que vá terminar aí. Ou seja, talvez os efeitos sejam sentidos também em abril, maio, o que é um período bastante longo com chance de ocorrer mais chuvas e mais cheias aqui no Rio Grande do Sul — analisa Fan.

O hidrólogo ainda ressalta a preocupação com a atual elevação das temperaturas ao longo de diferentes pontos do Pacífico.

— Esses indicadores mostram que existe uma chance bastante grande de um El Niño extremo, acima do que foi verificado em anos recentes. Então talvez tenhamos energia adicional na atmosfera e, novamente, capacidade de gerar mais chuva na Região Sul.

NOAA diz que cenário aumenta risco, mas não garante impactos
A NOAA faz uma ressalva de que essas previsões multiplicam o risco de impactos climáticos, mas não resultam, obrigatoriamente, em efeitos mais severos: "com um evento dessa magnitude, as chances de experimentar impactos consistentes com o El Niño são maiores, mas não garantidas".

Da mesma forma, não é possível dizer que o Rio Grande do Sul voltará a registrar uma enchente similar à de 2024, já que esse tipo de ocorrência também depende de condições meteorológicas de mais curto prazo, como um eventual bloqueio atmosférico que mantenha a chuva concentrada em uma mesma região. Os riscos, porém, aumentam de proporção.

A classificação do El Niño

  • Fraco - Elevação de 0,5ºC a 0,9ºC
  • Moderado - Elevação de 1,0ºC a 1,4ºC
  • Forte - Elevação de 1,5ºC a 1,9ºC
  • Muito Forte (Super El Niño) - Elevação de 2ºC ou mais


Fonte: GZH

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