Caso Alice: ex-padrasto que confessou ter matado adolescente é indiciado por feminicídio
Dez dias depois da morte de Alice Nitz, que foi morta a facadas, o ex-padrasto da adolescente, Wagno Arezi Henika, 40 anos, foi indiciado pelo crime de feminicídio. O homem, a quem ela tratava como pai e que havia se separado recentemente da mãe dela, confessou o crime.
Alice foi encontrada sem vida no dia 17 de agosto na casa do ex-padrasto, em Encantado, no Vale do Taquari. Ele foi preso preventivamente no dia 18.
O g1 procurou o advogado Márcio Arcari, que representa a defesa de Wagno Arezi Henika, mas ele não havia retornado até a última atualização desta reportagem. O espaço permanece aberto para manifestação.
O inquérito foi remetido ao judiciário pela Polícia Civil na última quinta-feira (27), conforme divulgado pela delegada Dieli Caumo, responsável pelo caso, nesta segunda-feira (31).
— Ele foi indiciado por feminicídio. Mantivemos esse indiciamento em função dos elementos, dos indícios que nós colhemos, depoimentos de que realmente não foi vicaricídio — explica a delegada.
O crime de vicaricídio, incluído no Código Penal em abril, tipifica a ação de matar alguém próximo a uma mulher com o objetivo de causar punição, sofrimento ou controle a ela.
Alice tratava Wagno como pai
Segundo a polícia, a vítima tratava o ex-padrasto como pai e continuava em contato com ele mesmo após a separação. A adolescente perdeu o pai ainda na infância e o padrasto, com quem a mãe iniciou um relacionamento quando ela tinha um ano de vida, tornou-se uma figura paterna.
Ainda conforme a delegada, a perícia não encontrou nenhum vestígio de violência sexual e confirmou que a morte foi causada por uma facada.
Em depoimento, o homem declarou à polícia que matou a ex-enteada durante uma discussão.
— Começou uma discussão e ele "perdeu a cabeça", nas palavras dele — diz a delegada.
Conforme a Polícia Civil, Wagno exercia uma posição de controle sobre a jovem.
— Ele era bem rígido, quase beirando a uma violência psicológica, pelas informações das testemunhas — afirma a delegada.
O vínculo entre Alice e o ex-padrasto continuou após o casal se separar. Como os dois moravam no mesmo bairro, a poucas quadras de distância, a presença da adolescente no imóvel era considerada algo habitual.
De acordo com a investigação, Wagno e a mãe da adolescente viveram juntos por 13 anos, ou seja, desde que Alice era bebê. Ele não tinha histórico de desavenças com a ex-companheira e mantinha uma relação considerada amigável, tanto com a mulher quanto com as filhas dela.
Quem era a adolescente
Alice é lembrada pela comunidade escolar como uma jovem inteligente e talentosa. Ela estudava na Escola Estadual de Ensino Fundamental (EEEF) Jardim do Trabalhador desde a educação infantil.
Segundo a vice-diretora Karina Belotti Cenci, a jovem tinha forte ligação com as artes: declamava poesias e era integrante do grupo de dança tradicionalista da instituição, o Oigalê.
— Sempre pronta, com sorriso, cheia de vivacidade — diz Karina.
A paixão pelo tradicionalismo era compartilhada com os três irmãos, que também passaram pelo projeto.
Alice jogava futsal em um clube local, o Fênix FC Futsal Feminino. Nas redes sociais, o time expressou solidariedade.
— A quadra ficou mais silenciosa e o nosso coração, infinitamente mais pesado. Perder uma jogadora e acima de tudo companheira, parceira e amiga dói de uma forma que as palavras sequer conseguem traduzir — diz a publicação.
Fonte: GZH
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