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Como a PF vasculhou o celular de Vorcaro e descobriu as mensagens para Alexandre de Moraes

  • Data: 01/set/2026

As recentes revelações sobre as mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes, que sacodem o país nesta terça-feira (1º), só foram possíveis graças a uma complexa investigação da Polícia Federal. Após a apreensão do iPhone 17 Pro (Série LTPF3F27YR) de Vorcaro, peritos criminais da PF extraíram do dispositivo uma vasta rede de influência envolvendo alguns dos maiores expoentes da República.

A principal prova material das comunicações sigilosas de Vorcaro não veio de chats abertos, mas de um comportamento automatizado do próprio sistema operacional da Apple. O laudo técnico nº 4281/2025 revelou que, sempre que Vorcaro escrevia notas com teor de cobrança ou monitoramento político e realizava capturas de tela (screenshots) no aplicativo nativo Notas do iPhone, o iOS gerava de forma involuntária e instantânea arquivos temporários em formato PDF na pasta interna tmp/com.apple.coherence/.

Envolvidos e articulações no esquema revelado pela Polícia Federal
Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane de Moraes


Ao cruzar os metadados desses PDFs com os registros de tráfego de dados, a Polícia Federal comprovou uma dinâmica cirúrgica: segundos após registrar os prints das notas, Vorcaro abria o WhatsApp e enviava os arquivos por meio de mensagens de visualização única para um número salvo em sua agenda sob o nome "Alexandre de Moraes BRASILIA".

Vorcaro utilizou o artifício de visualização única do WhatsApp para enviar pelo menos cinco mensagens para o contato do ministro. Embora esse recurso teoricamente impeça que a imagem seja visualizada novamente ou salva na galeria tradicional do destinatário, a Polícia Federal contornou essa limitação por meio da análise do histórico de logs de tráfego de dados do sistema.

Mesmo sem ter a imagem direta salva no histórico de chat convencional, o software forense identificou exatamente cinco registros correspondentes de envio de dados saindo de forma sequencial para o contato de Moraes. Ao cruzar os horários de envio do WhatsApp com os momentos de geração automática dos PDFs temporários pelo iOS, a perícia estabeleceu a correspondência exata das transmissões. O método pericial foi validado definitivamente quando os peritos localizaram as últimas cinco notas diretamente nas conversas ativas de WhatsApp recuperadas no aparelho

A perícia documentou dezenas de sequências temporais idênticas. Por exemplo, no dia 30 de outubro de 2025, às 16h32min31s, o arquivo PDF da nota foi gerado ocultamente pelo sistema. Exatos 32 segundos depois, às 16h33min03s, o dado foi transmitido para o celular do ministro do STF.

Na mensagem, Vorcaro revelava adiar uma viagem a Abu Dhabi para se encontrar com Moraes. Na sequência, contou ter alocado R$ 800 milhões no Master, numa tentativa de solvência do banco. Em seguida, o conteúdo no qual Vorcaro supostamente tentava obter proteção de "Andrei" e "Paulo". Para a PF, eles são respectivamente o diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, e o procurador-geral da República, Paulo Gonet.

“É importante reforçar com Andrei e Paulo pra não deixar ninguém de baixo fazer uma sacanagem que aí vai tudo pro saco. Estou disponível pra tratar e explicar qq coisa, só não pode ter sacanagem", escreveu Vorcaro.

Citações ao procurador-geral da República

O relatório descreve a proximidade de Vorcaro e de seu intermediário Ciro Soares com Paulo Gonet. Em diálogos interceptados, Soares repassa mensagens de agradecimento atribuídas ao procurador-geral e arranja viagens internacionais. Em março de 2025, Ciro Soares avisa a Vorcaro que Gonet havia pedido para que seu filho, Pedro Gonet, viajasse com a comitiva deles para Londres com despesas custeadas. Em planilhas internas de marketing e eventos de Vorcaro, consta a aprovação expressa do banqueiro para pagar integralmente as passagens e hospedagens de "Pedro e Ciro" para a Inglaterra.

Diretor da PF recebeu convite para evento em Londres
Andrei Rodrigues também foi alvo de convites formais para o evento jurídico-político em Londres em 2024 e 2025. Mensagens mostram que a equipe logística de Vorcaro alinhou com a assistente do chefe da PF que "todas as despesas" de hospedagem e deslocamento seriam "bancadas por nós".

A investigação detalhou a assinatura do primeiro grande contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, da esposa do ministro, estipulado no valor de R$ 3 milhões mensais líquidos (R$ 36 milhões ao ano), com vigência de três anos.

A análise pericial dos arquivos digitais revelou que o próprio Moraes editou o contrato. Segundo a investigação, a minuta do contrato foi enviada a Vorcaro pela advogada Viviane de Moraes em 11 de janeiro de 2024.

No histórico de propriedades digitais do arquivo “minuta de contrato”, consta como autor o advogado Guilherme Benazzi, mas o campo de "última modificação" registra o usuário "ministro Alexandre de Moraes", com alteração realizada no mesmo dia 11 de janeiro, às 16h30min.

A versão final da minuta repassada em 17 de janeiro também aponta que a última modificação no arquivo de texto foi salva pelo usuário "ministro Alexandre de Moraes" em 15 de janeiro de 2024, às 23h04min.

Ex-ministro Fábio Faria
Os bastidores desse acerto financeiro contaram com a intermediação direta do ex-ministro Fábio Faria, que compartilhou os contatos de Moraes com Vorcaro. Em diálogos recuperados, Vorcaro discute com Faria o prazo de vigência contratual. Faria pontua que o escritório pedia quatro anos de contrato, mas que aceitaria fechar em três anos.

A ordem de Vorcaro para funcionários de confiança
Após a assinatura, Daniel Vorcaro emitiu ordens aos seus diretores financeiros e funcionários de confiança. Em mensagens ao diretor Angelo Silva e a uma funcionária do financeiro, Vorcaro ressaltou que o repasse à Barci de Moraes era "o pagamento mais importante que temos" e que não poderia atrasar um único dia. O banqueiro determinou expressamente: "Pode pagar sempre, sem nota" e orientou a evitar transferências por pix para manter a confidencialidade.

A relação financeira expandiu-se com um segundo contrato com o escritório Barci de Moraes, dessa vez estimado em R$ 50 milhões, por meio da empresa Viking Participações.

Advogado de Vorcaro: Leonardo Palhares
Para quitar esses valores, a PF identificou uma complexa engenharia financeira estruturada pelo advogado de Vorcaro, Leonardo Palhares. Palhares propôs blindar a operação de transferência direta de ativos para evitar "risco reputacional", pois os sócios do escritório de advocacia ficariam "muito visíveis" na propriedade dos bens. A solução encontrada foi a cessão e dação em pagamento de cotas de aeronaves de luxo gerenciadas pela empresa Prime You, um jato executivo Embraer Legacy 650, com custo de cota estimado em US$ 5,5 milhões e um helicóptero Eurocopter EC 155 B1, com custo de cota de US$ 1,3 milhão.

Representante da empresa Prime You: Marcus Vinicius da Mata
Mensagens de áudio e texto enviadas por Marcus Vinicius da Mata, representante da Prime You, para Vorcaro confirmaram que os advogados do escritório já estavam usufruindo plenamente da frota. Da Mata escreveu: "Já usaram aviões e helicópteros". Em mensagens enviadas ao banqueiro, Viviane de Moraes confirmou expressamente a satisfação com o serviço: "Sim, estamos gostando muito, todos que nos atenderam sempre foram muito educados e atenciosos".

Em julho de 2025, a assessoria financeira de Vorcaro avisou que o escritório cobrava com prioridade o pagamento de uma fatura emitida contra a Viking Participações no montante de R$ 22.815.120,95. Diante das cobranças de Palhares para iniciar o fluxo financeiro, Vorcaro ordenou: "Faz urgente".

Fonte: GZH

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