Golpistas enviam e-mail com logo da Netflix para roubar dados de assinantes
Golpistas têm utilizado e-mails para tentar roubar números de contas ou obter outros dados de usuários da plataforma de streaming Netflix, que, somente no Brasil, possui mais de 25 milhões de assinantes. Esse tipo de fraude é conhecido como phishing, assunto já abordado pelo Comprova.
O objetivo de golpe não é invadir a conta da Netflix do usuário, mas fazer a pessoa clicar em um link e roubar seus dados. Os criminosos reproduzem elementos visuais da Netflix, como logotipos, identidade visual e linguagem institucional, para dar aparência de legitimidade às mensagens que são encaminhadas via e-mail ou outros canais para a vítima.
Como os golpistas abordam as pessoas
No texto encaminhado pelos golpistas, a vítima pode ler uma mensagem que informa falhas no pagamento, necessidade de atualização cadastral, atividade suspeita na conta ou risco de cancelamento do serviço, o que cria um senso de urgência e faz com que o indivíduo aja sem verificar a autenticidade do contato.
Assim, ela acaba clicando no link enviado pelos criminosos, uma página muito parecida com a da plataforma. Ali, digita login, senha e, na etapa seguinte, os dados completos do cartão, sob o pretexto de "confirmar a identidade" ou "atualizar a cobrança".
Como se proteger
A principal recomendação é desconfiar de mensagens que solicitem atualização de dados pessoais ou financeiros, especialmente quando acompanhadas de alertas sobre cancelamento da assinatura ou bloqueio da conta. Antes de qualquer ação, o usuário deve acessar sua conta diretamente pelo aplicativo ou pelo site oficial da Netflix, sem utilizar links enviados por e-mail ou SMS.
Também é importante verificar o endereço do remetente, evitar compartilhar senhas, ativar autenticação em dois fatores nos serviços que oferecem o recurso e utilizar cartões virtuais para pagamentos online. Caso receba uma mensagem suspeita, não clique em links nem faça downloads de arquivos anexos.
O Comprova entrou em contato com a Netflix, e obteve como resposta as orientações que constam em seu site em relação a suspeitas de phishing. Conforme consta nesta página, a Netflix informa que nunca solicita dados pessoais ou financeiros por e-mail ou mensagem de texto, como números de cartão de crédito, informações bancárias ou senhas.
A empresa ainda alerta que mensagens suspeitas com links desconhecidos não devem ser abertas nem respondidas, pois golpistas só conseguem acesso às informações compartilhadas pelo usuário. A recomendação é ignorar e excluir esses contatos para manter a conta segura e evitar cair em golpes de phishing.
Outros serviços de streaming como HBO Max e Amazon Prime Video também orientam o usuário a como manter sua conta segura e identificar contatos falsos se passando pelas empresas.
Onde denunciar
Quem receber um e-mail ou qualquer outra mensagem suspeita em nome da Netflix deve evitar clicar em links, responder ao contato ou fornecer qualquer informação pessoal. Além de excluir a mensagem, a recomendação é encaminhar o conteúdo do e-mail suspeito para o endereço phishing@netflix.com, canal utilizado pela Netflix para identificar tentativas de fraude.
Caso o golpe tenha ocorrido por meio de redes sociais, também é importante denunciar o perfil ou publicação diretamente à plataforma utilizada.
Se a vítima já tiver clicado no link ou compartilhado dados pessoais, a orientação é alterar imediatamente a senha da Netflix e de outros serviços que utilizem a mesma combinação de e-mail e senha. Caso informações financeiras tenham sido informadas, é necessário entrar em contato com a instituição bancária para adotar medidas de proteção da conta e dos cartões.
Em situações em que houve prejuízo financeiro ou vazamento de dados, a vítima deve registrar um Boletim de Ocorrência (BO) junto à Polícia Civil do seu Estado. O registro formaliza o caso e pode contribuir para investigações sobre esquemas semelhantes, além de servir como documento para eventuais providências junto a bancos e demais instituições envolvidas.
Percival Henriques de Souza, coordenador da Câmara de Segurança do CGI.br e membro do Comitê Nacional de Segurança Cibernética da Presidência da República, aponta que, juridicamente, a conduta se enquadra no crime de fraude eletrônica, previsto no artigo 171, parágrafo 2º-A do Código Penal, incluído pela Lei 14.155 de 2021 que pune com mais rigor quem usa meios eletrônicos e engenharia social.
— Quando há acesso indevido a contas, soma-se o artigo 154-A, de invasão de dispositivo informático — informa.
Desconfiou que é golpe? O Comprova pode ajudar a verificar. O Comprova monitora conteúdos suspeitos publicados em redes sociais e em aplicativos de mensagens sobre políticas públicas, eleições e possíveis golpes digitais, e abre verificações para os conteúdos duvidosos que mais viralizam. Você também pode sugerir verificações pelo WhatsApp +55 11 97045-4984.
Para se aprofundar mais: o Comprova já fez uma verificação semelhante, mas de criminosos que utilizavam boletos falsos com logo de empresas, que eram enviados por e-mail, WhatsApp ou outros canais. O Estadão mostrou existir um golpe relacionado a solicitação de Pix aos assinantes, com a promessa de reativação da assinatura e os direcionando a um site falso.
Fonte: Pioneiro
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