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Congelamento de óvulos cresce em Caxias do Sul e acompanha avanço da técnica no país

  • Data: 29/set/2026

No roteiro de algumas histórias clássicas, a vida feminina se desenha no romance com um príncipe encantado, no casamento, filhos e um final em que todos os personagens são felizes para sempre. Distante dos livros, as mulheres modernas têm mais possibilidades de escolha, o que inclui o momento ideal para a maternidade. É neste cenário que a busca por congelamento de óvulos mais que dobrou no país em cinco anos.

Dados do Sistema Nacional de Produção de Embriões indicam que o número de ciclos de coleta de óvulos para criopreservação passou de 7.872 em 2020 para 18.631 em 2025, o que representa um crescimento de 136,7%. O Rio Grande do Sul acompanhou o aumento. Em 2020, foram realizados 398 ciclos da técnica. Cinco anos depois, o número avançou para 944.

Em Caxias do Sul, embora não haja dados específicos, o interesse também cresceu, especialmente à medida em que as pacientes têm mais acesso às informações pela mídia e nos próprios consultórios. Na clínica Effetto Medicina Reprodutiva, a estimativa é de que os ciclos triplicaram nos últimos cinco anos:

— Hoje, nós queremos escolher o melhor parceiro, construir a nossa casa, fazer o doutorado, o pós-doutorado. Queremos curtir um pouco a vida e a maternidade vai sendo empurrada para frente. Então, no momento em que realizamos o congelamento de óvulos, preservamos o nosso tempo, preservamos a nossa fertilidade — sinaliza a médica Francieli Vigo, especialista em reprodução humana.

Mas por que congelar óvulos? Porque, segundo a médica, o corpo feminino tem uma janela de fertilidade, cujo auge ocorre ao longo da segunda década de vida. A partir dos 35 anos, as células reprodutivas femininas perdem em qualidade e em quantidade, o que pode ser um complicador para quem deseja ser mãe tardiamente.

— Nós nascemos com a nossa reserva de óvulos pronta. É diferente dos homens que, a cada 90 dias, fazem uma leva nova de espermatozoide. Vamos relativamente bem até os 35 anos, depois as chances de não engravidarmos ou termos um abortamento acabam aumentando bastante. O congelamento é, então, uma ferramenta segura e que traz uma chance muito boa de gravidez no futuro — explica Francieli.

O congelamento interrompe o envelhecimento do óvulo. Na prática, significa que se uma mulher fizer o procedimento aos 32 anos, a qualidade desta idade se manterá no gameta caso ela opte por engravidar aos 45 anos, por exemplo.

Perfis
No consultório da médica ginecologista Fernanda Castilhos Bosi, o interesse pelo procedimento também cresceu nos últimos anos. A demanda parte especialmente de pacientes entre 30 e 33 anos, saudáveis e que não têm uma ideia imediata de engravidar, diante do planejamento de carreira ou ausência de um relacionamento estável.

— Nem sempre que a mulher congela os óvulos vai precisar utilizá-los no futuro. Eu brinco com as pacientes que é como se fosse um seguro de carro. A ideia é não precisar usar, mas se bater o carro, vai estar disponível e é uma opção muito boa — compara a médica.

Para além da idade, Fernanda lembra que o congelamento pode ser indicado em algumas condições de saúde:

— Pacientes que vão ser submetidas a algum quimioterápico gonadotoxico (que podem ser tóxicos aos ovários femininos e, consequentemente, à fertilidade). Também há casos de pacientes que têm endometriose em algum grau mais volumoso, que precisem de procedimentos que podem diminuir a reserva ovariana — exemplifica.

Uma dúvida frequente que aparece em consultório é se o procedimento é capaz de diminuir a reserva ovariana. A profissional atesta que não:

— Muitos pacientes perguntam se o congelamento pode prejudicar a fertilidade delas. A resposta para essa pergunta é não. O congelamento de óvulos estimula folículos que já iriam ser degenerados naquele ciclo menstrual. Geramos um estímulo hormonal maior para conseguir capturar mais óvulos, mais folículos — detalha Fernanda.

Saiba mais
O procedimento é indicado, preferencialmente, para mulheres até 35 anos. Contudo, não há impedimento para ocorrer em idades mais avançadas.

Após coletados do corpo feminino, os óvulos ficam armazenados em um botijão de nitrogênio líquido a –196°C. O material não tem um prazo de validade e cabe à mulher a decisão de usar em si, doar ou descartá-lo.

O custo depende da quantidade de medicamentos indutores de ovulação, mas fica, em média, R$ 15 mil. Depois, é preciso pagar mensalidades ou semestralidades para a manutenção do congelamento.

Se houver a decisão pela gestação, é preciso, posteriormente, investir em outro tratamento: a fertilização in vitro (FIV). Por meio dela, ocorre a fecundação dos óvulos descongelados com o sêmen do parceiro ou doador.

Fonte: GZH

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