Como o aquecimento dos oceanos polares ameaça infraestruturas e espécies
A mudança climática está transformando rapidamente os oceanos polares, ameaçando tanto as infraestruturas humanas expostas à erosão marinha como as espécies que dependem do gelo marinho para sobreviver, adverte um relatório publicado nesta quarta-feira (30).
"A mensagem é muito clara. O oceano está mudando rapidamente", declarou em uma entrevista coletiva Pierre Bahurel, diretor-geral da Mercator Ocean International.
O 10º relatório anual sobre os oceanos do serviço europeu Copernicus Marine descreve oceanos em plena transformação, entre as ondas de calor no Mediterrâneo e no Mar Negro, a acidificação da água e o branqueamento dos corais. Alguns efeitos mais evidentes do aquecimento global ocorrem nos oceanos polares, que cobrem 20% da superfície oceânica mundial.
A temperatura da superfície do Oceano Ártico aumentou 4,2ºC entre 1982 e 2024, ou seja, 1ºC por década. Em comparação, os oceanos globais se aqueceram 0,12ºC por década no mesmo período. Aquecimentos ainda mais rápidos foram observados em algumas zonas do Ártico, como o Mar de Kara, que margeia a Rússia, onde a temperatura da água de superfície aumentou 6,7ºC em 40 anos.
O aquecimento acelerado do Ártico provocou o derretimento do gelo marinho, cuja superfície diminuiu 17% em 42 anos. A cada 10 anos, o gelo marinho perdeu 490.000 quilômetros quadrados, quase o equivalente à superfície da Espanha.
A perda de gelo marinho, somada ao degelo do permafrost - que provoca o afundamento do solo -, deixa as costas expostas às ondas e à erosão marinha. "Quase 60% das infraestruturas costeiras do Ártico já são vulneráveis (...) à erosão e ao aumento do nível do mar", destacou Karina von Schuckmann, oceanógrafa da Mercator Ocean International.
No Polo Sul, a perda de gelo marinho ameaça as populações de pinguins. A redução recorde da banquisa em 2022 coincidiu também com fracassos na reprodução dessa espécie. Os filhotes se afogam ou morrem de frio se caem na água gelada cedo demais em consequência do derretimento do gelo marinho.
Mais de 90% das colônias do pinguim-imperador podem estar praticamente extintas até o ano de 2100 caso persistam as taxas atuais de derretimento da banquisa. O pinguim-imperador foi classificado em abril como espécie "em perigo".
Fonte: CorreioDoPovo
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