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Rio Grande do Sul tem média de três feminicídios a cada duas semanas em 2026

  • Data: 08/out/2026

A cada duas semanas, ao menos três mulheres são vítimas de feminicídio no Rio Grande do Sul. Os números foram registrados do início de janeiro até esta quarta-feira (7), quando uma mulher foi assassinada em Erechim, no norte do Estado. O total, até o momento, é de 61 vítimas desse tipo de crime em 2026.

No comparativo com o mesmo período período do ano passado, quando foram 63 vítimas, o RS teve ligeira redução, de 3%. No entanto, a média se manteve a mesma.

— Na verdade, é um fenômeno difícil de ser avaliado, porque envolve vários fatores, não é só um problema de segurança pública. Hoje mesmo nós estamos fazendo estudos desses últimos casos para que a gente possa reavaliar a situação e sempre implementando novas medidas para que a gente possa reduzir esse crime tão grave — afirma a secretária-adjunta da Segurança Pública do RS, Adriana Regina da Costa.

O crime mais recente aconteceu na noite da quarta-feira, quando uma mulher de 27 anos foi assassinada no bairro Atlântico, em Erechim. Segundo a Brigada Militar, a vítima e o companheiro eram de nacionalidade venezuelana e estavam em casa quando ela foi morta. Suspeito do feminicídio, o homem foi preso.

Os casos de 2026 aconteceram em 42 municípios do Estado. Porto Alegre teve maior número de vítimas, com 12 mulheres assassinadas em contexto de gênero. A Capital, inclusive, registra salto no número de feminicídios. Em todo ano passado, foram seis vítimas. Ou seja, em 10 meses, a Capital dobrou o número de todo ano de 2025.

O episódio mais recente em Porto Alegre aconteceu na madrugada de segunda-feira (5), no bairro Restinga, no Extremo Sul. Thamires de Araújo Rodrigues, 24 anos, foi assassinada a facadas. O companheiro dela, Douglas Vinicius dos Santos Bernardo, 29 anos, foi preso em flagrante, no local do crime. Eles tinham dois filhos, um menino de quatro anos e uma bebê de três meses.

Neste caso, segundo a Polícia Civil, não havia registro de histórico de violência entre o casal.

— É um crime que acaba ocorrendo em todo o Estado, tanto em cidades menores como na Capital. Ocorre, muitas vezes, com mulheres que não têm nenhum registro de ocorrência. Então, também o papel da Secretaria de Segurança, integrado com as demais secretarias é importante, porque nós temos que trazer essa mulher para dentro do sistema de polícia, a fim de que ela registre a ocorrência e que a gente possa tomar as medidas — diz Adriana.

Ainda segundo a secretária-adjunta, o governo trabalha na elaboração de um novo protocolo de atendimento às vítimas de violência doméstica. A proposta é definir medidas de proteção conforme cinco níveis de risco identificados a partir dos registros policiais. O protocolo deve envolver a Segurança Pública, a Secretaria da Mulher e os municípios, com previsão de conclusão em novembro.

— Essa análise faz com que a gente proponha ações tanto para esses casos em que as mulheres não tinham registro de ocorrência, como também para casos, infelizmente, que as mulheres tenham registro de ocorrência. Até porque, se a mulher já registrou ocorrência, cabe ao Estado a proteção dessa mulher. Não podemos admitir que essas mulheres morram já estando dentro do nosso sistema de segurança pública, do sistema judicial — afirma.

Sala das Margaridas será inaugurada no bairro Restinga
A secretária disse ainda que será inaugurada no começo de novembro uma Sala das Margaridas no bairro Restinga. O espaço deverá funcionar junto da 16ª Delegacia de Polícia, na Estrada João Antônio da Silveira, 2.145, que está passando por obras.

A Sala das Margaridas é um espaço onde a mulher é atendida dentro dos plantões das delegacias, em local separado. O intuito é de que a mulher não seja exposta e tenha um atendimento mais humanizado. A comunidade da Restinga vem se mobilizando em busca de mais estrutura na área do atendimento às vítimas de violência doméstica.

O bairro é o mais populoso da Capital, com cerca de 62 mil habitantes, conforme o último Censo, e não possui uma Delegacia Especializada no Atendimento à Mulher (Deam).

Regiões
Em relação às regiões onde aconteceram esses casos, a Região Metropolitana concentra um em cada três feminicídios. São 20 das 61 vítimas contabilizadas até agora. Na sequência aparecem as regiões da Serra e do Norte, com sete casos cada. O Sul e o Noroeste registram cinco feminicídios cada, enquanto o Vale do Taquari soma quatro.

Os 61 casos por município

  • Porto Alegre - 12
  • Sapucaia do Sul - 3
  • Caxias do Sul - 2
  • Nova Prata - 2
  • Novo Hamburgo - 2
  • Parobé - 2
  • Rio Grande - 2
  • Viamão - 2
  • Alecrim - 1
  • Alegrete - 1
  • Bagé - 1
  • Barra da Guarita - 1
  • Barão do Cotegipe - 1
  • Cacequi - 1
  • Cachoeirinha - 1
  • Camaquã - 1
  • Canguçu - 1
  • Carlos Barbosa - 1
  • Constantina - 1
  • Encantado - 1
  • Erechim - 1
  • Esteio - 1
  • Guaíba - 1
  • Ijuí - 1
  • Imigrante - 1
  • Lajeado - 1
  • Marau - 1
  • Maçambará - 1
  • Montenegro - 1
  • Mostardas - 1
  • Muitos Capões - 1
  • Novo Barreiro - 1
  • Pejuçara - 1
  • Salto do Jacuí - 1
  • Santa Clara do Sul - 1
  • Santa Cruz do Sul - 1
  • Santa Rosa - 1
  • Santo Ângelo - 1
  • Sarandi - 1
  • São Francisco de Paula - 1
  • São Gabriel - 1
  • Tramandaí - 1


Fonte: Mapeamento realizado por GZH.

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