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Ao menos 18 pessoas ficam feridas ao tentar cobrir casas atingidas por granizo em Nova Prata

  • Data: 04/nov/2026

A tentativa de minimizar os prejuízos provocados pelo temporal de granizo que atingiu Nova Prata, na madrugada desta quarta-feira (4), também levou moradores ao hospital. Foram registrados 18 atendimentos relacionados ao evento climático, incluindo pessoas que se feriram ao cair de telhados enquanto tentavam cobrir as casas com lonas.

Segundo o Hospital São João Batista, os pacientes apresentaram luxações, escoriações e ferimentos causados por estilhaços de vidro. Um deles permanece em observação e outro precisou ser transferido para o hospital Pompéia, em Caxias do Sul, após cair de um telhado. O paciente apresentava dores em diferentes regiões do corpo, inchaço ao redor de um dos olhos e pressão arterial baixa na chegada à instituição.

Na manhã desta quarta, o Pronto Atendimento do hospital chegou a ficar sobrecarregado pela procura de moradores atingidos pelo granizo. Trabalhadores da própria instituição também tiveram as casas danificadas, o que reduziu a equipe disponível. À tarde, o serviço já havia sido normalizado.

A Defesa Civil de Nova Prata estima que mais de 4 mil casas tenham sido danificadas. As pedras de gelo afetaram aproximadamente 70% do território da cidade.

Entre os moradores que tentavam proteger as residências estava o inspetor de qualidade William Guilherme de Lima Guedes, 34 anos. Mesmo encharcado pela chuva que insistia em cair na manhã de quarta, ele subiu no telhado de casa para tentar minimizar os furos com lona.

Ele e a família, formada por sete pessoas, incluindo duas crianças, acordaram durante a madrugada com o barulho das pedras de gelo:

— Foi bem tenso. Quando olhei para o forro já tinha um buraco, e assim foi durante uns cinco minutos. A primeira reação da gente foi botar as crianças embaixo de um colchão para protegê-las.

A água não poupou cama, guarda-roupa, sofá e outros itens da casa. Passar rodo no chão era um esforço em vão.

— É triste ver o que conquistamos se perder, mas o importante é que foram só danos materiais, a gente está bem — reflete.

O vizinho João Maria Antunes da Silva, 75 anos, também estava com a casa revirada por conta da infiltração causada pelo granizo. O carro da família foi atingido e danificado pelo granizo.

— É duro levar anos para fazer a vida e, em poucos segundos, “se foi” tudo — lamenta ele, ao lado do filho João Arthur da Silva, 23.

"Pensei que estava numa guerra"
No ginásio de acolhimento, a doméstica Valmenes da Silva, 48, e o filho Murilo, 8 anos, esperavam em uma fila com dezenas de pessoas para receber lona. Embora o material estivesse em falta e a casa já comprometida pelo granizo, a mulher mantinha a cabeça erguida e otimismo para seguir em frente.

— A gente não tem como cobrar muito também, porque é a cidade toda precisando — confessa.

Na arquibancada do ginásio, a auxiliar de limpeza Heloísa Fabiane Xavier de Souza, 56, descansava depois de ser atendida com a lona e receber um lanche. De Belém (PA), ela mora há seis anos na cidade e não havia vivido algo parecido até então:

— O meu telhado foi todo danificado, eu pensei que estava numa guerra. Foi muito aterrorizante, entrei em pânico, fiquei ansiosa, me deu ânsia de vômito. Graças a Deus os bens materiais podemos recuperar, a vida da gente é o mais importante.

A prefeitura organiza um abrigo no Ginásio Santa Cruz para receber moradores que precisarem deixar as casas. A comunidade pode contribuir com colchões, cobertores e travesseiros, que devem ser entregues diretamente no ginásio.

Também são necessárias doações de alimentos e roupas, que podem ser levadas à Secretaria Municipal de Assistência Social.

Fonte: Pioneiro

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