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Construção civil lidera reação dos empregos com carteira assinada no RS

  • Data: 05/Out/2020

Setor reabriu quase 36% das vagas fechadas desde o começo da pandemia. Em seguida, está a indústria, com cerca de 17%

 

Após a pandemia provocar demissões em massa, o Rio Grande do Sul ensaia retomada gradual na geração de empregos. Em julho e agosto, a economia gaúcha abriu 9,1 mil vagas formais. O desempenho positivo ocorreu após a destruição, entre março e junho, de 134,1 mil postos com carteira assinada. Ou seja, até o momento, o Estado recuperou parcela de 6,8% dos empregos fechados na crise do coronavírus.

Em termos percentuais, a construção é o setor que está à frente na tentativa de reação. Depois de perder 5,8 mil vagas entre março e junho, o segmento gerou quase 2,1 mil postos no intervalo de julho e agosto. Ou seja, as empresas do ramo retomaram 35,9% dos empregos cortados na pandemia.

GZH consultou os dados no Novo Caged, o cadastro do Ministério da Economia que contempla o mercado formal. Os números correspondem ao saldo de vagas. Esse indicador mede a diferença entre contratações e demissões.

No caso da construção, o saldo positivo de quase 2,1 mil vagas decorreu de 11,9 mil admissões e 9,8 mil cortes. O alívio após a fase inicial da pandemia está relacionado a uma combinação de fatores, relata Aquiles Dal Molin Júnior, presidente do Sindicato das Indústrias da Construção Civil no Estado (Sinduscon-RS).

Conforme o dirigente, o setor já sinalizava reação no final do ano passado, movimento interrompido pela chegada da covid-19. Em meio ao distanciamento social, parte da população ficou “insatisfeita” com a estrutura de sua residência e decidiu fazer reformas ou procurar novos imóveis, acrescenta o empresário. Por fim, o juro básico na mínima histórica serve de estímulo ao financiamento de moradias.

– A construção está se recuperando das perdas na pandemia. Posso arriscar que será a locomotiva da economia. Vai puxar o vagão de outros setores, a cadeia produtiva é ampla. Abrange variados produtos e serviços. E há um papel social, de geração de emprego e moradia – diz Dal Molin Júnior.

Depois da construção, a indústria aparece com o maior percentual de vagas retomadas. Em julho e agosto, as fábricas do Estado abriram 7,3 mil postos formais. A marca corresponde a 16,9% dos quase 43,2 mil empregos destruídos nos quatro meses anteriores.

Na indústria, o ramo com melhor saldo em julho e agosto foi o de produtos de metal, exceto máquinas e equipamentos (2,6 mil), seguido pelo de alimentos (1,7 mil).

Respiro

Professora da Universidade de Caxias do Sul (UCS), a economista Maria Carolina Gullo atribui os sinais de melhora a questões internas e externas. No mercado internacional, parceiros comerciais flexibilizaram medidas de isolamento. Dentro do Estado, a retomada do comércio também incentivou as vendas, diz:

– Lá fora, a flexibilização veio antes. Países passaram a demandar mais mercadorias. Por aqui, parte das pessoas adiou compras, e agora existe um aquecimento.

comércio é outro setor que começa a respirar após os solavancos. De julho a agosto, abriu 2,2 mil novos empregos no Rio Grande do Sul. O saldo equivale a 6,6% do total de postos perdidos nos meses anteriores de coronavírus.

Já o setor de serviços, motor da economia, ainda patina no mercado de trabalho. É o único dos grandes segmentos que permanece no vermelho. De março a junho, perdeu 44,1 mil vagas. Em julho e agosto, foram mais 2,8 mil postos.

O desempenho de serviços tem sido freado pelas dificuldades em ramos como o de alimentação e alojamento. Nessa atividade, que contempla hotéis e restaurantes, a perda chegou a 21,4 mil vagas com carteira entre março e agosto.

– A retomada da economia não é homogênea. Batemos no fundo do poço e estamos voltando agora – pontua o economista Marcos Lélis, professor da Unisinos.

Horizonte carregado de incertezas

O horizonte para o mercado de trabalho carrega mistura de pontos positivos e sinais de preocupação no Estado. A desaceleração nos casos de coronavírus e a reabertura de empresas explicam o alívio. Já o alerta tem ligação com a incerteza gerada pela perda de fôlego em programas de estímulo à economia do governo federal.

Um deles é o auxílio emergencial, que deve acabar no final do ano, em razão da penúria fiscal vivida pelo país.

 — Acredito em movimento de contratação nos próximos meses, mas não vamos recuperar logo todos os empregos que foram perdidos. As empresas estão buscando fazer mais com menos gente neste momento – avalia a economista Maria Carolina Gullo, professora da UCS.

Mesmo com a possibilidade de reação gradual no mercado formal, a tendência é de que a taxa de desemprego avance nos próximos meses, lembra o professor Marcos Lélis, da Unisinos. O indicador, calculado pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), também contempla trabalhadores informais.

Pressão na taxa de desemprego

Para ser considerado desempregado, um profissional que perdeu a ocupação tem de procurar novas oportunidades. Com a flexibilização de medidas de isolamento, mais pessoas devem sair em busca de vagas, frisa Lélis.

– Vamos ter uma pressão na taxa de desemprego, mesmo com o crescimento do mercado formal. É que mais pessoas vão voltar a procurar trabalho – reforça.

Em agosto, a taxa de desemprego no Estado foi de 9,9%. À época, havia 562 mil pessoas desocupadas. As informações integram a Pnad Covid-19, pesquisa do IBGE que dimensiona os efeitos da pandemia no mercado de trabalho e na área da saúde.

 

Fonte: GZH

Foto: Lauro Alves / Agência RBS

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