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Covid-19 deve baixar a expectativa de vida no Brasil em quase dois anos, diz pesquisa

  • Data: 14/Set/2021

Estudo com dados de 2020 indica diminuição da longevidade dos brasileiros

 

Uma pesquisa apontou uma queda de quase dois anos (1,94) na expectativa de vida da população brasileira em 2020. O estudo chamado “Redução da expectativa de vida no Brasil em 2020 após a covid-19”, que foi conduzido por cientistas da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e das universidades de Harvard, Princeton e do Sul da Califórnia (as três dos Estados Unidos), apresenta que uma das consequências da pandemia é a regressão na longevidade da população ao patamar que se encontrava em 2013 – isso considerando apenas as mortes em 2020 pelos dados oficiais do país.

Segundo a pesquisadora Márcia Castro, é a primeira vez que o Brasil vai apresentar uma queda no indicador, que somente crescia desde a década de 1940. Em entrevista aos canais de comunicação da UFMG, Márcia afirmou que, de 1945 a 2020, a expectativa de vida do brasileiro ganhou em média cinco meses a cada ano, saltando de 45,5 anos para 76,6. A pandemia quebrou este ciclo de aumento.

O que é

Expectativa de vida é um indicador que avalia quantos anos em média viveria um recém-nascido se estivesse sujeito às taxas de mortalidade vigentes no ano de seu nascimento ao longo de toda a sua existência. Em 2019, os brasileiros tinham uma previsão de 76,6 anos de vida em média. Número que, de acordo com este estudo, regrediu para 74,6 anos quando são levadas em consideração as quase 195 mil mortes notificadas que tiveram como causa a covid-19 até 31 de dezembro do ano passado.

A questão dos idosos

Uma preocupação do estudo foi apresentar a expectativa de vida da pessoa com 65 anos, devido ao maior risco de morte pela covid-19 em idades mais avançadas. Para pessoas dessa faixa etária, os números indicam uma projeção de 1,58 anos de vida a menos, ou seja, uma longevidade média de 75 anos.

Homens x mulheres

Levando em conta a diferença na expectativa entre homens e mulheres, o estudo aponta uma queda maior para o sexo masculino (1,98 anos) em relação ao sexo feminino (1,82 anos). Entre as pessoas com 65 anos, o declínio estimado para os homens é de 1,64 anos, e para as mulheres, de 1,46 anos.

Diferenças regionais

O estudo buscou apontar as diferenças da expectativa de vida considerando as regiões e os Estados do país. O Distrito Federal foi onde o indicador apresentou a maior queda, 3,6 anos. O tempo médio de vida baixou de 79 para 75,4 anos.

A queda menos acentuada foi no Sul. No Rio Grande do Sul, a expectativa de vida recuou quase 1,5 ano, enquanto em Santa Catarina o indicador ficou muito próximo da média nacional. No Sudeste, apenas Minas Gerais teve redução menor em relação ao país (pouco mais de um ano). Já os outros Estados tiveram índices piores.

Norte e Nordeste foram definidos como os locais com os piores indicadores de desigualdade de renda, pobreza, acesso à infraestrutura e disponibilidade de médicos e leitos hospitalares, mas as regiões apresentaram números expressivamente diferentes. No Norte, só Tocantins ficou na média nacional (1,94 anos), enquanto Amapá (queda de 3,62 anos), Roraima (3,43) e Amazonas (3,28) apresentaram as diminuições mais acentuadas do país. No Nordeste, a maioria dos Estados teve queda no indicador menor do que a média nacional. 

Situação extremamente preocupante

A pesquisa também avaliou quanto do avanço conquistado em expectativa de vida nas últimas duas décadas foi perdida devido a mortalidade por covid-19 e chegou à conclusão de que houve uma regressão de 25% neste indicador considerando apenas as mortes oficiais. No cenário projetado, em que se infere que 90% dos óbitos por síndrome respiratória aguda grave em 2020 foram consequência da covid-19, essa queda na expectativa de vida em 20 anos chega a 36%.

Os pesquisadores consideram os resultados apresentados alarmantes e subestimados. Isso porque a pesquisa consegue avaliar apenas os cenários com os números oficiais, e há mortes cujas causas não foram devidamente informadas por falta de exame.  

Outra preocupação é de que em 2021 a expectativa de vida tenha uma queda ainda maior do que o 1,94 ano de 2020. Afinal, em abril as mortes por covid-19 já haviam superado os números do primeiro ano. 

 

Fonte: GZH

Imagem: National Institutes of Health/NIAID-RML/HANDOUT / AFP

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