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Serviços e comércio seguem com crescimento no RS, mas inflação e instabilidade política acendem aler

  • Data: 15/Set/2021

Indústria apresentou novo recuo em julho, mas segue líder no acumulado do ano no Estado

 

Dos três principais setores da economia, dois voltaram a apresentar crescimento no Rio Grande do Sul recentemente. Serviços e comércio registraram avanço em julho, na comparação com o mês anterior, e estão em patamar acima do pré-pandemia, verificado em fevereiro de 2020. 

Os dados estão presentes em pesquisas mensais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgadas nos últimos dias. Especialistas ouvidos pela reportagem apontam que o bom desempenho deve seguir nos próximos meses, mas sofrer desaceleração no médio e longo prazo diante de problemas como instabilidade política e inflação acelerada.

Entre os três setores, serviços apresentou o melhor resultado em julho, com avanço de 3,4%, segundo levantamento divulgado nesta terça-feira (14). Na sequência, figuram comércio, com 1,9%, e indústria, que recuou -1,7% na produção. O cenário registrado no Estado acompanha o extrato do país. 

Olhando o acumulado do ano, indústria segue com o melhor desempenho nos sete primeiros meses de 2021. O setor soma alta de 17,8% na comparação com o mesmo período do ano anterior, que foi prejudicado pela pandemia, superando serviços e comércio (veja mais abaixo).

O professor da Faculdade de Ciências Econômicas da Universidade Federal do RS (UFRGS) Marcelo Portugal avalia que serviços e comércio mantêm ritmo de crescimento ao vencer parte dos efeitos da pandemia na esteira da reabertura das atividades. 

— O comércio e os serviços parecem ter superado o problema da pandemia. Voltaram a um nível de vendas maior. A indústria não teve isso, por conta dos desajustes na cadeia produtiva — pontua Portugal. 

Ao explicar o movimento observado na indústria, o economista destaca que, apesar de amargar resultados negativos, o setor segue aquecido neste ano e com demanda. No entanto, problemas no fornecimento de insumos e de matéria-prima ainda freiam o avanço desse setor. Se não fosse esse desequilíbrio, a indústria poderia crescer ainda mais neste ano, segundo o professor. 

— O dado frio da produção industrial é um dado ruim no sentido de que você não está aumentando a produção. Mas você não está aumentando não é pela falta de demanda. Demanda tem. O setor não está crescendo porque não consegue achar gente especializada, mas, principalmente, porque não acha peça, não acha componentes. Ou, quando acha, demora para chegar ou é um preço muito maior — explica o professor da UFRGS. 

O economista-chefe da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Porto Alegre, Oscar Frank, destaca que o recorte mais recente dos setores em julho também aponta uma inversão no consumo. O aumento das flexibilizações e da circulação de pessoas impulsionou a volta do consumo de serviços em detrimento de bens, segundo o economista-chefe da CDL Porto Alegre:

— Na pandemia, com o distanciamento social e o fechamento da economia, serviços foram mais afetados. Pessoas ficaram mais em casa e demandaram mais bens. Com a melhora do quadro sanitário e a retomada dos negócios, a gente observa uma realocação de gastos.

Inflação e instabilidade política preocupam

Os especialistas ouvidos por GZH estimam que a inflação acelerada e a instabilidade política que afeta o país acendem um sinal de alerta em relação à continuidade do crescimento da economia. O professor da UFRGS Marcelo Portugal entende que esses fatores preocupam, mas devem atingir a economia no médio e longo prazo: 

— Isso vai ter efeito no ano que vem. No curto prazo, ainda tem muito crédito e gente recebendo transferência de renda do governo. Tem muito estímulo monetário e fiscal que compensa a instabilidade política e a inflação alta. Na medida em que essas coisas desaparecerem, a economia vai crescer mais devagar. 

Oscar Frank, economista-chefe da CDL Porto Alegre, afirma que os setores, principalmente serviços e comércio, seguirão aquecidos até o fim do ano, com a volta de atividades que foram mais afetados durante o período de maiores restrições. 

— A questão é saber se aqueles segmentos que foram mais afetados pela pandemia conseguem suplantar a dificuldade que outros setores têm em gerar avanço — pontua Frank.

 

Fonte e foto: GZH / Divulgação

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